CARBONO ZERO: Panamérica neutraliza emissões de CO2 da produção do novo CD

Posted on novembro 5, 2010

As bandas estão longe de figurar entre os maiores responsáveis pelas emissões de carbono à atmosfera. Mas como são com as pequenas atitudes que grandes e importantes mudanças são geradas, a Panamérica e o selo Las Ramblas deram o exemplo e neutralizaram as emissões de carbono da produção do novo álbum da Panamérica “Mojitos, guitarras & tamborins”. Iniciativas semelhantes já foram feitas por outros artistas da música, como por exemplo, o The Police na última vez em que esteve no Brasil, quando neutralizou as emissões de carbono causadas pelo deslocamento do público de cerca de 50 mil pessoas até o Maracanã. Conhecido como “Greening”, esta ação é uma das mais promissoras para a contribuição da iniciativa privada para o reflorestamento do país.

Sob supervisão do consultor ambiental Roberto Vámos, diretor da Brasil/S – Soluções em Sustentabilidade, foram calculados o gasto de eletricidade das gravações em estúdio, a queima de combustíveis dos veículos utilizados no deslocamento dos músicos para os estúdios de ensaios e de gravação, assim como o transporte da primeira tiragem de CDs de Manaus até o Rio de Janeiro. “Apuramos com os integrantes da banda as informações necessárias para chegarmos a um cálculo final, incluindo as 232 horas gastas em estúdio entre ensaios, gravações e pós-produção e outros dados relevantes. Com base nos dados captados calculamos que foram emitidos 1.263 Kg de CO2. E, para que isso pudesse ser neutralizado, o plantio de sete árvores seria necessário”, explicou Vámos.

A pedido da banda, o Instituto Terra de Preservação Ambiental foi acionado pra que pudesse providenciar o plantio de 10 árvores (três a mais que o necessário) no Rio de Janeiro. As mudas serão monitoradas pelo instituto durante os próximos três anos para que seu crescimento seja assegurado. Foram selecionadas mudas de Ipê Amarelo Handroanthus riodocensis (A.H. Gentry) S. O. Grose), espécie nativa da Mata Atlântica, para o plantio na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Santana, em Miguel Pereira (Rio de Janeiro). Trata-se de uma unidade de conservação de extrema importância, pois ela se consolidou como zona de amortecimento das Reservas Biológicas do Tinguá e Araras e protege um dos principais afluentes do rio Guandu, abastecedor de toda a região metropolitana do estado do Rio de Janeiro.
De acordo com Abílio Vilela, Gerente de Restauração Florestal do ITPA, a iniciativa foi integrada a outros plantios e adoções, para que, assim, a contribuição seja efetiva na recuperação de uma área considerável de floresta. Para a escolha da área, são diversos os parâmetros que são utilizados. Trata-se de uma avaliação cuidadosa com vistas a entender a relevância e prioridade de restauração em cada. Os principais critérios: ser uma APP (Área de Preservação Permanente, como encostas de morros ou margens de rios), terreno de grande importância para a ligação entre dois fragmentos, o que possibilita, por exemplo, maior fluxo de espécies, ou área dentro de uma unidade de conservação.

Maurício Ruiz, secretário-executivo do ITPA, apoiou a atitude do grupo. “A iniciativa da Panamérica tem um imenso valor. A crise ambiental vigente não tem precedentes na história do planeta, e, portanto, é fundamental conservar a natureza em busca de um desenvolvimento saudável. E todos devem estar envolvidos, desde o poder público até a sociedade em geral, passando, é claro, pela iniciativa privada. As árvores plantadas vão compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas pela produção do CD de estreia da banda. Mais do que isso, no entanto, em parceria com outros projetos de reflorestamento no entorno, será viável recuperar uma série de serviços ecológicos impactados pelo desmatamento, como proteção da biodiversidade e qualidade/quantidade de água, controle da erosão e equilíbrio do microclima”, disse Ruiz.

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